TRANSPLANTE RENAL
O transplante é a substituição dos rins doentes por um rim
saudável de um doador. É o método mais efetivo e de menor
custo para a reabilitação de um paciente com insuficiência
renal crônica terminal.
O transplante de rim é um procedimento através do qual se
coloca em seu corpo um rim saudável vindo de outra pessoa.
Este novo e único rim deve substituir totalmente os dois
rins que pararam de funcionar.
A técnica cirúrgica e os cuidados do transplante renal foram
bem estabelecidos como tratamento adequado para a
insuficiência crônica renal a partir de 1965.
Hoje, no Brasil, aproximadamente 35.000 pacientes com
insuficiência renal crônica estão em tratamento pela
diálise. Destes, somente três mil conseguem ser
transplantados anualmente. A razão dessa longa fila de
espera se deve ao pequeno número anual de transplantes
renais. No Brasil, só conseguimos transplantar 10 % dos
pacientes que estão na lista de espera.
Além disso, a mortalidade em hemodiálise em todo o mundo e
no Brasil é da ordem anual de 15 a 25 %. Se somarmos os
pacientes transplantados (10 %) aos que morrem em
hemodiálise (15 a 25 %) restam anualmente 65 a 75 % de
pacientes na lista de espera. A esse grupo deve-se somar os
novos renais crônicos que surgem todo o ano, em torno de 35
a 50 para cada um milhão de habitantes.
Quem pode fazer transplante renal?
Todo o paciente renal crônico pode se submeter a um
transplante desde que apresente algumas condições clínicas
como: suportar uma cirurgia, com duração de 4 a 6 horas; não
ter lesões em outros órgãos que impeçam o transplante, como
cirrose, câncer ou acidentes vasculares; não ter infecção ou
focos ativos na urina, nos dentes, tuberculose ou fungos; e
não ter problemas imunológicos adquiridos por muitas
transfusões ou várias gestações.
Quem pode doar um rim?
Podem doar rim pessoas vivas e pessoas em morte cerebral. O
doador vivo pode ser da família (pai, mãe, irmão, filhos),
ou de outra pessoa relacionada com o receptor. Todos os
doadores vivos devem estar em plena consciência do ato que
estão praticando. Após serem examinados clínica e
laboratorialmente e se não apresentarem nenhuma
contra-indicação podem doar o rim.
Algumas vezes são realizados transplantes com doador vivo
não relacionado, exemplo esposa (o). Nesses casos a
investigação realizada é muito maior e deve haver algum grau
de compatibilidade dos tecidos para não haver rejeição.
É muito importante em todo o transplante, seja de doador
vivo ou não que o sangue e os tecidos sejam compatíveis.
Essa semelhança evita que o sistema de defesa imunológica do
receptor estranhe o novo rim e o rejeite. Para isso, são
feitos exames da tipagem sangüínea (ABO) e dos antígenos dos
glóbulos brancos (HLA). O HLA é um exame igual ao de
paternidade e/ou maternidade.
Para o doador por morte cerebral, há uma rotina e um
protocolo nacional que são seguidos rigidamente pelas
equipes de transplante. Os principais passos são os
seguintes:
1 Constatar a morte cerebral;
2 Afastar qualquer doença que inviabilize o transplante;
3 Reconhecer a viabilidade do órgão a ser doado;
4 Realizar as provas de compatibilidade;
5 Procurar o receptor mais parecido (compatível);
6 Enviar o órgão ao local da cirurgia do receptor.
Como se prepara um transplante de
doador vivo?
O transplante de doador vivo é um processo que segue os
seguintes passos:
1 São afastadas as contra-indicações de ordem física e de
fundo emocional;
2 Compara-se o grupo sangüíneo do doador e do receptor que
devem ser compatíveis;
3 Verifica-se a compatibilidade (HLA), semelhança entre o
receptor e o doador;
4 Estuda-se o doador para verificar se pode doar sem
prejuízos e se não tem alguma doença;
5 Estuda-se o receptor para verificar se não está
sensibilizado para evitar crise aguda de rejeição contra o
rim doado;
6 Deve-se começar antes da cirurgia o tratamento com os
imunossupressores;
Esses são os passos principais, mas o transplante de rim de
doador vivo ou não tem rotinas específicas de cada equipe de
transplante.
Cuidados com o paciente
transplantado:
Após a cirurgia, iniciam-se os cuidados médicos que vão
durar para toda a vida do transplantado. Exames clínicos e
laboratoriais são feitos diariamente durante os primeiros 15
a 20 dias para diagnosticar e prevenir as rejeições.
Após a alta, o transplantado faz exames clínicos e
laboratoriais semanalmente, por 30 dias, depois duas vezes
por mês. Os três primeiros meses são os mais difíceis e
perigosos, porque é o período no qual ocorre o maior número
(75%) de rejeições e complicações infecciosas.
A partir do terceiro mês, iniciam-se os exames mensais
durante 6 meses. E o controle vai se espaçando conforme a
evolução clínica e o estado do rim.
Nunca, sob hipótese alguma, o paciente pode interromper ou
modificar a medicação, ou deixar de fazer os exames
indicados. É uma obrigação para o resto da vida. Uma falha
pode ser fatal. A crise de rejeição pode ocorrer a qualquer
momento, mesmo após muitos anos de um transplante bem
sucedido.
Perguntas que você pode fazer ao seu médico
Como posso receber um transplante de rim de cadáver?
Quem pode doar rim para transplante?
São muitos os exames para doação?
O rim doado pode transmitir doenças?
A lista de espera para transplante é muito grande?
Vou continuar tomando remédios depois do transplante?
Quais são
os medicamentos inunossupressores?
Geralmente o paciente que
recebe um transplante renal toma três medicamentos
imunossupressores: prednisona,
azatioprina e
ciclosporina. A dose e a
combinação destes três remédios varia de acordo com o peso
do paciente e sua condição clínica.
|
Medicamento |
Freqüência da Dosagem |
Efeitos
Colaterais |
Prednisona ou
Merticorten®
(tipo de corticóide) |
Tomada pela manhã |
Aumento
de apetite, aumento da quantidade de gordura no rosto
e nas costas, aparecimento de acne, retenção de
líquidos, hipertensão arterial e podendo desencadear
diabetes mellitus |
|
Azatioprina ou Sandinum® |
Geralmente ingerida à
noite |
Problemas no fígado (icterícia ou amarelão) e
diminuição dos leucócitos (células brancas do sangue) |
|
Azatioprina ou Cellcept®
(novo) |
Duas vezes ao dia |
Diarréia em alguns
pacientes |
|
Ciclosporina ou
Sandinum® |
Duas vezes ao dia, a cada
12 horas |
Hipertensão arterial, retenção de líquidos, elevação
da creatina do sangue, tremores, aumento da gengiva,
aumento no crescimento de pêlos e cabelos |
Todos estes
medicamentos deixam o organismo mais suscetível a infecções
e tumores, por isso você fica internado no momento do
transplante em regime de isolamento, para não pegar
infecções de outros pacientes, e terá sua temperatura medida
várias vezes ao dia.
Terei que tomar
os medicamentos imunossupressores para sempre?
Sim, nas primeiras semanas em dose mais alta, depois, ao
longo do tempo, a dose de cada um dos medicamentos vai
diminuir, porém você sempre vai precisar tomá-los, do
contrário o seu rim transplantado será rejeitado pelo seu
organismo, necessitando de retorno à diálise.
O
que acontece se nenhum dos membros da família for
compatível?
Se você não tem doador entre os membros da sua família, será
colocado na lista de espera de rim de doador cadáver.
O que é provada cruzada ou "cross-match"?
É o exame em que se mistura o sangue do receptor e do doador
para ver se há possibilidade de rejeição nas primeiras horas
pós-transplante. Se for positivo, o transplante não será
realizado, pois a chance de rejeição é de quase 100%.
O que significa rejeição?
Rejeição é o termo usado para descrever a reação do corpo ao
novo rim. Algum grau de rejeição é esperado, a maioria dos
pacientes a terá durante a primeira ou segunda semana após o
transplante. Existem várias maneiras de tratar a rejeição e
na maioria das vezes será curada.
Como saberei que estou rejeitando
meu rim ?
Você deve estar alerta para a possibilidade de rejeição e
prontamente comunicar à equipe de transplante se observar
qualquer sinal ou sintoma, listados abaixo:
Dor ou inchaço sob seu rim transplantado;
Febre acima de 37 graus;
Diminuição da urina;
Rápido e grande ganho de peso;
Inchaço de pálpebras, mãos e pés;
Dor ao urinar;
Urina fétida ou sanguinolenta;
Aumento na pressão sanguínea com uma mínima maior que 10;
Tosse ou falta de ar;
Perda da sensação de bem estar.
O nefrologista então avaliará se existe ou não processo de
rejeição acontecendo, pois estes sinais e sintomas também
podem ter outras causas além da rejeição.
Obs.: Qualquer outra alteração também deverá ser comunicada
ao médico.
Ficarei com restrição de líquidos
após meu tratamento ?
A maioria dos pacientes é capaz de beber tanto líquido
quanto quiser após o transplante. No entanto, se sua pressão
sanguínea está elevada e você retiver líquido (edema),
necessitando de diurético, poderá ser orientado a restringir
líquidos. Se uma restrição for orientada, você saberá
exatamente qual será a limitação.
Terei restrições de alimento após
meu transplante ?
Desde que cada indivíduo é único, os requerimentos
nutricionais variarão. No entanto há restrições dietéticas,
sendo freqüentemente temporárias. Muitas delas estão
relacionadas à quantidade de Prednisona que você está
recebendo. Se ocorre retenção de sódio e líquido, o conteúdo
de sua dieta será restringido. A ingestão de potássio na
dieta será controlada se os níveis estiverem elevados
(consulte um nutricionista).
Como saberei se posso doar um rim ?
Você fará uma consulta médica e depois, em etapas, grande
série de exames de sangue, urina, radiológico e
eletrocardiograma para comprovar que seus rins e demais
órgãos estão perfeitos. Caso um ou mais exames deram
alterados, será avisado e encaminhado para o tratamento
adequado. Se não puder doar, também será comunicado.
Quais são os riscos da doação ?
A cirurgia é feita coma anestesia geral e esse é risco da
cirurgia. Para que seja o menor possível é feita toda uma
avaliação clínica do doador. Especialmente a cirurgia do
doador é feita com muito cuidado, já que o mesmo não está
doente e apenas pratica um ato de amor.
Levarei vida normal com um rim
apenas ?
Algumas pessoas nascem com apenas um rim e nunca ficam
sabendo disso, exceto se fizerem algum exame ocasional e
descobrirem o fato. Um rim faz o trabalho de dois e a vida
da pessoa será normal em qualquer profissão ou na família.
E se o rim que fica perder a função
?
Caso sofra de cálculo renal não poderá ser doador, pois
existe a possibilidade de que tenha cálculo de novo. As
outras doenças que ocasionam paralisia dos rins, atingem os
dois rins, tanto faz ter um ou dois.
Uma pessoa que retirou um dos rins pode ser considerada
incapacitada e ter alguma vantagem com PNE (Portador de
Necessidade Especial)?
Não é uma condição incapacitante que exclua de uma vida
normal. Um rim supre normalmente a função de dois e a
agenesia renal unilateral é uma condição comum e são
descobertas muitas vezes por acaso. Mesmo nos casos de
câncer renal, os operados não tem nenhum direito extra, por
terem um segundo rim com função normal. Apenas na
Insuficiência Renal Crônica pode-se pleitear alguns
benefícios por incapacidade, esta completamente justificada.
Se assim fosse, todos os doadores de transplante seriam PNE
mas paradoxalmente são pessoas extremamente sadias, tanto
que puderam se privar de um rim em benefício um semelhante.
É verdade que o transplante renal
não é recomendado para maiores de 70 anos?
O transplante renal é recomendado numa faixa etária com
expectativa de vida de mais de 10 anos em função da
complexidade e gravidade do tratamento, isto é, o organismo
aos 70 anos não suporta uma grande intervenção cirúrgica
como é o transplante. Existem doenças degenerativas
associadas sejam, cerebrais, cardiovasculares ou sistêmicas
(diabetes) que o contra-indicam após esta faixa etária.
Ainda, o resultado de um transplante, não é certo e líquido,
pois podem ocorrer complicações inerentes ao corpo estranho
(rim implantado) e uso de medicações imunossupressoras muito
agressivas.
Não é impossível que exista um indivíduo que aos 70 anos
tenha uma capacidade física de 60 anos, mas improvável,
ainda mais no renal crônico.
Em relação ao doador, nesta idade não haverá regeneração do
parênquima renal, sobrecarregando o rim remanescente e
criando situações clínicas como um novo renal crônico,
hipertenso, etc.
Restaria a critério do nefrologista, um implante de
doador-cadáver, ainda com ressalvas pela idade.
Transplante é cura?
É um tratamento que pode prolongar a vida com
melhor qualidade. O transplantado exige cuidado médico
constante e usa uma série de medicamentos pelo resto da vida.
É uma forma de substituir um problema de saúde incontrolável
por outro sob o qual se tem controle.
Quando é indicado
um transplante?
Os transplantes apenas são indicados quando
todas as outras terapias foram consideradas ou excluídas.
Nesses casos, em geral, os transplantes constituem-se na única
alternativa de sobrevivência e/ou de melhoria da qualidade de
vida.
Quais são a chance
de sucesso com os transplantes?
É alta. Mas muita coisa depende de
particularidades pessoais, o que não permite uma resposta
genérica. Existe no Brasil pessoas que fizeram transplante de
Rim, por exemplo, há mais de 25 anos, tiveram filhos e levam
uma vida ativa normal.
Como sei se um
familiar ou amigo podem doar para mim?
Se você precisa de um Rim, medula
ou parte do Fígado, um familiar ou amigo podem ser doadores.
Eles devem ser submetidos a uma bateria de exames de
compatibilidade, sempre sob a orientação de médicos, para
determinar esta possibilidade.
Quais são os
riscos para um familiar ou amigo se eles doam?
Não é possível avaliar este risco
da mesma forma como não era possível avaliar a possibilidade
de você tornar-se um candidato a um transplante, quando a sua
saúde era perfeita.
Como sou colocado
em uma lista de espera?
Após ser avaliado se os demais
órgãos não estão comprometidos, se tem condições psicológicas
de, após o transplante, seguir estritamente as recomendações
médicas pelo resto da vida. Você estará recebendo um órgão que
é um presente de vida.
COMO
FUNCIONA
O TRANSPLANTE DE RIM?
Na cirurgia de transplante renal, o cirurgião
coloca o novo rim dentro do seu abdômen e conecta a artéria e
a veia do novo rim a uma artéria e veia do seu corpo. O sangue
flui através do novo rim e provoca a formação de urina, da
mesma maneira que os seus rins faziam quando estavam
saudáveis. O novo rim poderá começar a funcionar imediatamente
ou demorar algumas semanas para começar a produzir urina.
Geralmente, os rins antigos são deixados em seu lugar a menos
que estejam causando infecção ou pressão arterial alta, quando
então devem ser retirados.
Como
funciona o sistema de captação de órgãos?
Se existe um doador em potencial (vítima de
acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral, etc..) a
função vital dos órgãos deve ser mantida. É realizado o
diagnóstico de morte encefálica. Seguem-se então as seguinte
ações: (1) Hospital notifica a Central de Transplantes sobre
um paciente com morte encefálica (potencial doador); (2)
Central de Transplantes repassa a notificação para uma OPO
(Organização de Procura de Órgão) (3) A OPO entra em contato
com o Hospital e viabiliza o doador; (4) A OPO informa a
Central de Transplantes se o doador é viável; (4) A Central de
Transplantes emite a lista de receptores e encaminha para o
Laboratório de Imunogenética (apenas para o caso de Rins); (5)
O Laboratório de Imunogenética realiza "crossmatch" e informa
para a Central de Transplantes. (6) A Central de Transplantes
emite uma lista definitiva dos potenciais receptores para cada
órgão, (7) A Central de Transplantes aplica critérios de
seleção se existe mais de um receptor compatível para o doador
(8) A Central de Transplantes informa as Equipes de
Transplante.
QUEM PODE DOAR UM RIM?
O novo rim pode ser doado por um membro da
família, ou seja, por um doador vivo com laços de parentesco,
por exemplo, pai, mãe, irmão ou filho. Ou pode ser doado por
uma pessoa recém falecida, ou seja, um doador cadáver. Algumas
vezes, o doador é o esposo ou esposa, ou sela, um doador vivo
sem laços de parentesco.
É muito importante que o sangue e os tecidos do
doador sejam bastante parecidos com os seus (do mesmo tipo que
os seus). Esta semelhança evita que o sistema de defesa do seu
corpo combata ou estranhe o novo rim. Para determinar se o seu
corpo aceitará o novo rim, são feitos no laboratório alguns
exames especiais das células do sangue.doador sejam bastante
parecidos com os seus (do mesmo tipo que os seus). Esta
semelhança evita que o sistema de defesa do seu corpo combata
ou estranhe o novo rim. Para determinar se o seu corpo
aceitará o novo rim, são feitos no laboratório alguns exames
especiais das células do sangue.
O que é considerado na escolha
do receptor de um transplante?
Os médicos, o candidato e sua família levam em
conta os aspectos: a) todas as terapias foram consideradas? b)
o paciente não sobreviverá sem o transplante?; c) o candidato
não tem outros problemas, inclusive psicológicos, que
inviabilizem o transplante? O candidato tem condições para
assumir um estilo de vida que inclui o uso contínuo de
medicamentos e freqüentes exames laboratoriais e hospitalares
após o transplante?
Que critérios de
compatibilidade entre doador e receptor são considerados?
compatibilidade sangüínea; histocompatibilidade
(de tecidos); peso e tamanho do órgão. Se existe mais de um
paciente com o mesmo perfil para receber o órgão, será
escolhido aquele em estado mais grave. Este poderá ser (ou
não) um seu familiar.
Qual o risco dos transplantes?
Existe os riscos inerentes a uma cirurgia de
grande porte em si. Após o transplante, o principal problema é
a REJEIÇÃO. Para prevenir este efeito a pessoa usa
medicamentos que debilitam o sistema imunológico. Por esta
razão, estão mais sujeitos a infecções e a outras doenças
"oportunistas".
O que significa rejeição?
As células do nosso sistema imunológico
percorrem cada parte de nosso corpo procurando e conferindo se
algo difere do que elas estão acostumadas a encontrar. Estas
células identificam um órgão transplantado como sendo algo
diferente do resto do corpo e ameaçam destruí-lo. Isso é
rejeição.
Não existe controle para a
rejeição?
Existe. Em 1983, a barreira da REJEIÇÃO foi
parcialmente superada com o advento de uma poderosa droga - a
Ciclosporina – que, combinada com outras, inibe as células do
sistema imunológico na sua tentativa de destruir o órgão
transplantado.
Ocorre rejeição em todos os
transplantes?
A rejeição ocorre na maioria dos transplantes.
Quanto maior o grau de compatibilidade entre doador e receptor
mais fácil o controle. Devem ser do mesmo tipo sangüíneo. Em
alguns casos devem ter, ainda, a maior semelhança possível em
relação aos tecidos.
O que acontece se após o
transplante ocorrer rejeição?
No caso do rim, o paciente retorna para o
tratamento de diálise e entra novamente na lista de espera
para um novo transplante. Se o órgão implantado for coração,
pulmão ou fígado, um novo transplante tem que ser feito
imediatamente, sem o que ocorre a morte.
O que é compatibilidade
sangüínea?
(1) Doador e receptor devem ser compatíveis com
respeito ao tipo de sangue. Existe quatro tipos básicos de
sangue em um sistema de classificação conhecido com Sistema
ABO. Na ordem de freqüência de ocorrência na população, do
mais comum ao mais raro são: O, A, B, e AB.
(2) O tipo de sangue de um indivíduo é determinado
geneticamente pelos "alelos" herdados dos pais. Alelos são
formas possíveis de um gene, que ocupa determinado lócus no
cromossomo. No caso do tipo sangüíneo existe três alelos: A, B
e O os quais permitem seis combinações;
3) A e B são alelos codominantes e o tipo O é chamado de
recessivo. Para que o tipo recessivo se expresse em um
indivíduo ele tem que herdar os dois alelos dos pais. Em
outras palavras, para ser do grupo sangüíneo O ele tem que
herdar um alelo O do pai e um alelo O da mãe;
4) Indivíduos que herdam um alelo A de um dos pais e outro O é
do tipo A; os que herdam um alelo B e outro O são do tipo B;
se herdam um alelo A e outro B, são do tipo AB. Para que se
seja do tipo O tem que herdar os dois alelos O, um do pai e
outro da mãe;
5) A ocorrência percentual aproximada dos tipos sangüíneos na
população brasileira é a seguinte: 49% do tipo O, 25% do tipo
A; 22% do tipo B e 4% do tipo AB
O que é histocompatibilidade?
(1) Em alguns transplantes, como o de rim, o
doador e o receptor, além de serem compatíveis para o sistema
ABO, ou seja, para o grupo sangüíneo, deve ser também
compatíveis em termos de tecidos, isto é histocompatíveis;
(2) A medida da histocompatibilidade é expressa em termos da
Compatibilidade HLA (abreviatura da expressão inglesa "Human
Leukocyte Antigens ou Antígeno Leucocitário Humano. Por sua
vez, Antígeno é qualquer substância capaz de provocar a
formação de Anticorpos;
(3) Anticorpos e são substâncias (gamaglobolina) formadas como
resposta a um estímulo imunogênico e capaz de interagir com
Antígenos que promoveu a sua síntese ou com outro relacionado
com ele;
(4) Quando duas pessoas compartilham os mesmos antígenos do
sistema HLA elas são compatíveis, isto é, os seus tecidos são
imunologicamente compatíveis. Existem três grupos de HLA:
HLA-A, HLA-B e HLA-DR. Para cada um dos grupos existe vários
tipos;
(5) O HLA é herdado "em conjunto" de 3 grupos de HLA: A, B,
DR. Estes grupos são conhecidos como haplotipos. Cada
indivíduo tem dois haplotipos de HLA distintos. Os filhos de
dois indivíduos quaisquer da população herdam um haplotipo do
pai e outro haplotipo da mãe; (6) Cada indivíduo tem 25% de
chance de herdar 2 haplotipos iguais aos de um irmão; 25% de
nenhum dos haplotipos dos seus irmãos e 50% de chance de
compartilhar pelo menos um haplotipo com seus irmãos. Logo,
cada indivíduo tem uma chance em quatro (25%) ter um irmão
compatível. Portanto, cada indivíduo tem uma em quatro chances
de ser HLA idêntico com um dos irmãos;
(7) Entre não irmãos, a chance de encontrar-se dois indivíduos
histocompatíveis varia entre 1 para cada 10000 e 1 para cada
100000.
O que é Crossmatch?
(1) Após a "tipagem" HLA do receptor e doador,
existe ainda um teste, chamado "CROSSMATCH para determinar se
o receptor tem anticorpos contra o potencial doador. Se o
receptor tem anticorpos específicos para o HLA do doador, o
órgão transplantado será rejeitado;
(2) No teste de crossmatch, uma porção de soro do receptor é
misturado com uma parte de glóbulos brancos do doador. Se o
receptor tiver anticorpos específicos para o HLA do doador as
células do doador morrem. Neste caso o
crossmatch é positivo. Existe, portanto,
contra-indicação do transplante;
(3) Então, se você tem um familiar esperando transplante e
aparece um doador torça para que dê CROSSMATCH NEGATIVO.
O que é PRA?
(1) As pessoas em uma lista de espera por um
transplante são submetidas pelo menos a cada seis meses, a uma
tipagem de HLA denominada de PRA (Percentagem de Anticorpos
Reativos). O PRA representa a quantidade de anticorpos contra
HLA presentes no soro do candidato a transplante;
(2) O PRA é determinado reagindo-se o soro do candidato em um
painel de 60 tipos diferentes de HLA. Se o soro do candidato
matar 30 células de um painel de 60, o PRA é de 50. Se uma
pessoa está na lista de espera e, por acaso, não está com o
PRA em dia quando surge um doador ela é preterida.
QUANTO TEMPO
DEMORA A OPERAÇÃO DE TRANSPLANTE?
A operação demora de 3 a 6 horas. O tempo de
internação geralmente dura de 10 a 14 dias. O acompanhamento
das funções do seu novo rim e de suas condições de saúde deve
ser feito regularmente em consultas médicas. Quando o doador é
um parente, ele permanecerá no hospital durante uma semana ou
menos. Ao voltar para casa, seu doador poderá viver
normalmente pois um rim tem capacidade de fazer toda a
filtragem necessária.
QUAIS COMPLICAÇÕES PODEM
ACONTECER?
Sempre existe a possibilidade de seu corpo
estranhar o novo rim e tentar rejeitá-lo, mesmo que seus
exames mostrem que seu sangue é muito parecido com o sangue do
doador. Em geral, os transplantes de parentes vivos funcionam
melhor que os transplantes de doadores cadáveres, pois é maior
a semelhança entre o doador vivo e o paciente. Medicamentos
chamados imunossupressores deverão ser prescritos por seu
médico para ajudá-lo e evitar a rejeição. Estes medicamentos
deverão ser tomados todos os dias durante o resto da sua vida.
Alguns efeitos não desejados podem acontecer com o uso dos
imunossupressores, como por exemplo:
Enfraquecimento do sistema de defesa do corpo:
Para evitar a rejeição do novo rim, o sistema de defesa é
enfraquecido, porém passa a não ter defesas também contra as
bactérias, vírus e fungos, que podem causar infecções.
Mudanças no aspecto da pessoa: O rosto poderá
ficar mais cheio, a pessoa poderá ganhar peso ou desenvolver
espinhas ou pelos no rosto. O uso de cosméticos pode resolver
estes problemas.
Problemas como cataratas, queimação no
estômago, transtornos nas juntas do quadril, no fígado ou no
próprio rim, podem acontecer após o uso prolongado de alguns
tipos de medicamentos imunossupressores.
Algumas vezes, estes medicamentos não conseguem
evitar que o corpo rejeite o novo rim e a função deste rim aos
poucos estará também terminada. Se isto acontecer, será
necessário o retorno para algum tipo de diálise. Um novo
transplante poderá ser realizado posteriormente.
Lembre-se: os medicamentos que
impedem a rejeição devem ser tomados todos os dias
rigorosamente, por toda a vida.
Quais são os resultados do
transplante?
A atividade do transplante renal iniciou-se na
década de 60 e atualmente é um procedimento rotineiro
realizado mundialmente. Dependendo do doador (vivo ou cadáver)
o rim é aceito pelo paciente (receptor) em 80 a 90% dos casos.
Quando isso ocorre, beneficiam-se dois pacientes: o receptor
do transplante e outro paciente com uremia que pode ser
tratado pela vaga aberta no programa de diálise.
O que é Morte Cerebral?
É uma situação em que as funções do cérebro
deixam de existir por completo. No passado, a morte do cérebro
era seguida da parada da respiração e do coração. Atualmente
existem máquinas chamadas de respiradores que podem manter o
funcionamento temporário do coração e dos pulmões em pacientes
com morte cerebral. Foram esta máquinas que permitiram o
desenvolvimento dos transplantes de órgãos. A definição de
morte cerebral foi regulamentada em lei pelo Congresso
Nacional e segue critérios médicos bastante precisos. Ela deve
ser determinada por especialistas sem nenhum envolvimento com
a equipe de transplante de órgãos. É antiético o pagamento de
taxas hospitalares ou honorários médicos relativos à doação de
órgãos de cadáver.
Mais informações acesse:
SBN -
Sociedade Brasileira de Nefrologia
SBU -
Sociedade Brasileira de Urologia
SISTEMA NACIONAL DE TRANSPLANTES
ABTO -
Associação
Brasileira de Transplantes de Órgãos
CURIOSIDADES
Em 1902, na Escola de Medicina de Viena, na Áustria,
aconteceu o primeiro autotransplante de rim, no pescoço de
um cão.
Em 1906, em Lyon, na França, foram feitos dois transplantes
entre espécies diferentes a partir de rins de porco e de
cabra nos vasos do braço e da coxa em seres humanos, que
funcionaram por uma hora.
Em 1909, em Berlim, na Alemanha, um rim de macaco foi
transplantado, sem sucesso, em uma criança que sofria de
insuficiência renal aguda.
Fonte: Manual de Transplantes de Órgãos e Tecidos - cap. 1,
págs. 1 e 2 (Walter A. Pereira - Ed. Guanabara Koogan)
O Brasil quase teve um Prêmio Nobel de Medicina. Sir Peter
Medawar (1915- 1987), zoólogo e imunologista, ganhou o Nobel
em 1960 pela descoberta da “tolerância da imunologia
adquirida”.
Apesar de Sir, ele nasceu em Petrópolis, no Rio de Janeiro
e, aos 14 anos, mudou-se para o Reino Unido para completar
os seus estudos. Acabou perdendo a cidadania brasileira por
não ter prestado o serviço militar.
Fonte: Manual de Transplantes de Órgãos e Tecidos - cap. 1,
pág. 2 (Walter A. Pereira - Ed. Guanabara Koogan)
Hoje, o transplantes de rim é um dos que acontece com maior
frequência na medicina.
É um dos poucos órgãos que pode ser doado ainda viva.
Um transplante renal bem sucedido significa, acima de tudo,
qualidade de vida. Tratamos aqui algumas das principais
questões que envolvem este tipo de tratamento. Consulte
também a lista com os principais hospitais que fazem o
transplante de rim no Brasil.
|
APOIO:


|