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Notícias
Transplante só é feito
após tratamento dentário
Os portadores de deficiência renal crônica e que necessitam
de transplantes, assim como os hemofílicos, soropositivos e
os dependentes químicos também compõem uma clientela
especial que sofre à procura de atendimento quando assunto é
saúde bucal. Eles também encontram dificuldades na hora de
procurar um tratamento especializado.
O presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos do
Ceará, Agnel Conde Neto, ressalta que somente com a
“dentição bem cuidada e em perfeito estado” é que o doente
renal poderá se submeter ao transplante. “Agora imagine, a
pessoa já está na fila, ansiedade a mil, problemas com a
própria doença, ainda encontra dificuldade no tratamento
dentário, sendo isso uma condição primordial para a sua
cirurgia”.
Para ele, o descaso da administração pública leva os
pacientes especiais, como os renais crônicos, que
submetem-se à homodíliase, a sentirem-se em pior estado
físico e mental. “A pessoa perambular procurando um lugar
para fazer uma simples extração ou obturar um dente, é, no
mínimo, vexatório”, desabafa.
O presidente do Conselho Regional de Odontologia (CRO), José
Cláudio Cid, defende que mesmo enfrentando sérias
dificuldades, as pessoas mais suscetíveis a infecções e
hemorragias, como transplantados, hemofílicos e portadores
de HIV (vírus causador da Aids), também devem procurar
cirurgiões-dentistas especializados e fazer o auto-exame
cuidadosamente. “A superação é vital em muitos casos”,
afirma. Para os soropositivos (5.900 cadastrados no Hospital
São José), ir ao dentista significa ter paciência e esperar
vaga para ser atendido no ambulatório odontólogico do
próprio hospital. A diretora da entidade, Airtes Vitoriano,
diz que são três cirurgiões dentistas para dar conta de toda
a demanda. “Só atendemos quem está cadastrado no hospital.
Até porque a abordagem é multidisciplinar”.
Os dependentes químicos também requerem tratamento
diferenciado e não são priorizados pelos gestores de saúde
pública no Estado. O presidente do Desafio Jovem, médico
Silas Munguba, explica que eles tomam medicamentos que
diminuem a saliva e perdem a auto-estima. Com isso, acabam
apresentando muitos problemas bucais e perdendo os dentes
prematuramente.
Como as consultas no sistema público de saúde, incluindo a
odontológica, são exercícios de paciência, o dependente não
quer esperar.
Os portadores de hemofilia da Capital conseguiram sair
vitoriosos de uma luta que durou anos: a instalação de um
consultório odontológico no Hemoce. O serviço é prestado há
três meses e representa um “oásis” para os que sofrem com o
problema e não tinham a quem recorrer. “Isso para os
hemofílicos que moram em Fortaleza ou na Região
Metropolitana. Os do Interior ainda estão longe de ter
atendimento personalizado, dependendo de iniciativas
pessoais de dentistas mais preocupados com a situação”,
afirma Francileuda Soares, mãe de um garoto de 16 anos,
portador de hemofilia. Ela faz parte da diretoria da
Associação dos Hemofílicos do Estado do Ceará.
Francileuda critica a carência de odontólogos capacitados
para atender à grande demanda nos municípios. “O hemofílico
vive sob a constante ameaça de um sangramento e tem medo de
ser atendido sem ter a mínima segurança no médico ou
dentista”, diz, acrescentando que os pacientes do Interior
muitas vezes nem tentam procurar o posto de saúde na
tentativa de cuidar da boca e dos dentes porque “só têm
desilusão”
Os portadores de hemofilia apresentam dificuldades no
processo de coagulação do sangue, portanto estão
constantemente sujeitos a hemorragias. As dificuldades na
coagulação são devidas à ausência hereditária de
determinados fatores sangüíneos, indispensáveis à produção
da enzima tromboquinase, que é fundamental ao processo de
coagulação.
O problema é causado pela ausência do gene que modifica a
habilidade do organismo para produzir fatores suficientes
para gerar a coagulação.
O presidente do Conselho Regional de Odontologia, José
Cláudio Cid, explica que a recomendação para o
cirurgião-dentista é de que se ele desconfia de algo na
anamnese (informação acerca do princípio e evolução de uma
doença até a primeira observação do médico), é importante
que solicite exames hematológicos (hemograma e,
principalmente, coagulograma). “Se houver alguma
anormalidade, ele encaminha o paciente para o médico
hematologista, antes de qualquer procedimento odontológico”.
Fonte: Lêda Gonçalves
(11/9/2005)
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